WMSA LOGÍSTICA

Blog sobre Logistica, Transporte e Armazenagem

EMBALAGEM

Existem três aspectos na questão da embalagem que são muito importantes.

Primeiramente, ela serve para promoção e uso do produto. Em segundo lugar,

providencia proteção para o produto. Finalmente, serve como instrumento para aumen-

tar a eficiência da distribuição. Projetar uma embalagem exige a consideração destes

interesses . Walter Friedman sumarizou o papel da embalagem em muitas firmas e a

responsabilidade da logística com relação à mesma:

A administração de marketing continua a encarar a embalagem estrita-

mente do ponto de vista de vendas. Engenheiros de embalagem, freqüentemente

subordinados a Compras ou Manufatura, consideram a embalagem apenas

dispositivo de proteção. Somente o administrador de distribuição física pode

observar a embalagem de forma ampla e, portanto, conceber alterações no

projeto, dimensões, modo de transporte etc., que contribuam para a eficácia do

sistema de distribuição.

A questão do embalamento tem muitas facetas. Os objetivos da embalagem de um

produto e suas interações com as atividades logísticas estão resumidas da seguinte forma:

  • Embalagem de Distribuição;
    • Transporte;
    • Armazenagem;
    • Movimentação interna de materiais;
    • Identificação do Produto;
    • Sistema de distribuição do Cliente;
      • Proteção Apropriada do Produto;
      • Embalagem Ótima;
      • Custo Ótimo de Produção;
      • Conveniência do Cliente;

;

Embalagem para o consumidor

Entre em qualquer loja moderna e repare no coniunto colorido de Produtos.

Produtos? Não, embalagens! Elas podem ser necessárias para proteger os produtos, mas

os profissionais de marketing utilizam-nas vantajosamente para promover os produtos

da firma. Consideremos apenas algumas maneiras de fazê-lo.

Em primeiro lugar, a embalagem provê um meio atrativo para divulgar o nome da

companhia para os clientes. Pode ser utilizada para transmitir informações sobre preço

ou as virtudes do seu produto. A embalagem serve como um tipo de anúncio.

Em segundo lugar, as dimensões da embalagem devem conformar-se aos requisitos

das prateleiras das lojas. Isto permite oferecer ao consumidor a maior área de

exposição possível para seu produto em comparação com os produtos concorrentes.

Considere a vantagem em área de exposição que a Pringles criou por colocar suas

batatas fritas num canudo que é mais resistente, de formato mais regular, menos

perecível e com maior fator de estiva (razão entre volume e peso), comparando as

embalagens tradicionais de batatas fritas.

Finalmente, a embalagem pode oferecer alguma utilidade extra ao produto. Veja

o que um grupo de marketing fez com relação a este extra, ao mesmo tempo que atendia

as necessidades físicas da distribuição:

Exemplo: Alguns anos atrás o Chicago Tribune lançou uma capanha

para conseguir novas assinaturas para o jornal. Para incentivar os consumido-

res, foi oferecido como brinde um cachorro de pelúcia de 3 pés de altura,

chamado de Cuddly Duddly, para cada novo assinante. Para prevenir danos e

facilitar o manuseio, o Cuddly Duddly era embalado numa grande caixa de

papelão. No lado externo da embalagem havia um desenho com linhas para

recorte, de forma que crianças poderiam usar a caixa para montar a casinha do

cachorro.

;

Embalagem para proteção

Uma das principais razões para incorrer nas despesas extras de embalagem

É diminuir a ocorrência de danos e perdas devidas a roubo, armazenagem em locais

errados ou deterioração. A principal preocupação da logística é evitar o dano durante

o manuseio do produto.

Para definir quanto material de proteção deve ser utilizado, o profissional deve

determinar o grau de exposição a danos físicos do produto na sua movimentação.

Podem-se enviar embalagens de teste pelo sistema de distribuição ou suprimento para

verificar seu desempenho, ou simular seu uso real em testes de laboratório, tais como

testes de vibração, compressão, impacto e queda. Alguns dados de testes podem ser

obtidos de fontes externas. Por exemplo, o Comitê Americano de Segurança no Trânsito

tem relatórios sobre diversos níveis de impacto em cargas-piloto para os casos aéreo,

ferroviário e rodoviário. Um resultado interessante é que, com exceção dos níveis de choque

que ocorrem na troca de vagões ferroviários, os níveis mais altos de impacto ocorrem

no manuseio, sendo aproximadamente igual em todos os modais de transporte.

Este fato serve para desafiar uma crença comum de que os requisitos para embalagem

de proteção no caso de transporte aéreo são menores do que no caso rodoviário, o mesmo

ocorrendo no caso de transporte por caminhões em relação às ferrovias.

O projeto de embalagens para atender requisitos de segurança merece pelo menos

breve menção, considerando a importância do problema nos dias atuais. A possibilidade

de roubo pode ser fator determinante nesse projeto, especialmente para mercadorias

pequenas e de alto valor, como cigarros, bebidas alcoólicas e ferramentas manuais.

Soluções simples adotadas são, por exemplo, aumentar o tamanho do pacote, montar

pacotes por amarração de produtos normalmente soltos ou fazer caixas mais difíceis de

abrir pelo uso de materiais ou colas mais fortes.

Embalagem para aumentar eficiência da distribuição

Uma preocupação final é verificar como a embalagem afeta a eficiência do

manuseio, armazenagem e movimentação do produto. Estes são os principais fatores

que o profissional de logística deve considerar no projeto da embalagem.

;

*Manuseio e armazenagem: A embalagem pode ser considerada como o invólucro

do produto, ou pode mesmo combinar diversas embalagens menores num pacote

maior. Desta forma, pode afetar a eficiência da distribuição de várias maneiras.

;

*Resistência, tamanho e configuração: Estas características básicas freqüente-

mente ditam os tipos de equipamentos de movimentação e de armazenagem, a altura de

empilhamento sem o uso de meios auxiliares, a estabilidade das mercadorias e a densidade

da carga unitária, quando mais de um pacote é movimentado de uma vez. No

nosso ponto de vista, a embalagem é um custo puro que deve ser compensado pela maior

eficiência de distribuição que ela acarreta. Por vezes, o uso de materiais mais resistentes

e configurações mais caras é justificável. As economias podem ser conseguidas pelo

uso de unidades de movimentação mais compactas, que requerem menor número de

viagens para o mesmo volume de mercadoria, e pela maior utilização do espaço de

estocagem, possibilitada por maiores alturas de empilhamento ou maior densidade de

armazenagem.

Exemplo: Às vezes, pode-se aumentar significativamente a eficiência de

armazenagem apenas com ligeiros ajustes na configuração. Vejamos o caso de

uma área restrita de 43×35 polegadas, que pode ser apenas a dimensão de um

palete, a dimensão disponível numa prateleira ou a área de piso de um depósito.

Diferentes dimensões de embalamento utilizam o espaço mais eficientemente

que outras. A Figura abaixo mostra algumas das alternativas de tamanho e

seus efeitos na utilização da área. Repare que uma alteração tão pequena quanto

meia polegada pode aumentar a eficiência de estocagem de 70 a 100% sendo,

que pacotes menores geralmente acarretam em melhor ocupação espacial.

Área Polegada Quadrada Dimensões polegadas Eficiência da Armazenagem

387 21,5 x 18,0 100%
407 22,0 x 18,5 69,3%
168 14,0 x 12,0 86,8%
181.25 14,5 x 12,5 70,2%
63 9,0 x 7,0 97,5%
61.75 9,5 x 6,5 87,7%
73.5 10,5 x 7,0 94,9%
71.5 11,0 x 6,5 87,7%

;

150.5 21,5 x 7,0 94,9%
165 22,0 x 7,5 63,9%

*Unitização: Unitização significa agregar diversos pacotes ou embalagens menores

numa carga unitária maior. Os custos de movimentação de materiais diminuem à

medida que o tamanho da unidade de movimentação aumenta. Ou seja, para dada quantidade

de mercadorias, serão necessárias menos viagens, pois mais embalagens são transportadas

de uma vez. Os custos de mão-de-obra estão diretamente relacionados com a

quantidade de viagens necessárias.

Existem muitos exemplos de unitização de cargas. Todos estão familiarizados com

unitização em nível de vendas em varejo. Latas costumam ser embaladas em caixas de

24 unidades, jornais e revistas são empacotados e bebidas em lata são agrupadas com

plástico termocontrátil (shrink). Em nível de armazém, estes itens estão ainda mais

agrupados para manuseio mais eficiente. Neste caso, a unitização é realizada com o

auxílio de paletes de madeira, de plástico (slip sheets) ou de metal (skids). Certa

quantidade de caixas, sacos ou cestos é empilhada nestas plataformas e a plataforma

toda é movimentada e estocada como uma unidade. A unitização também melhora a

ocupação da armazenagem, pois aumenta a estabilidade das pilhas de material.

A unitização também pode ser conseguida com o uso de equipamento especial de

movimentação. Por exemplo, empilhadeiras podem ser modificadas de forma a erguer

mais de uma unidade sem recorrer ao uso de paletes. Eletrodomésticos maiores são

geralmente erguidos de dois em dois, graças ao projeto de suas embalagens. Além disso,

está se tornando cada vez mais popular o uso de plástico térmico (shrink) ou de fitas

metálicas para estabilizar a carga, aumentando a segurança contra roubo e mesmo

possibilitando armazenagem em pátio descoberto (caso do revestimento plástico).

A unitização tem se mostrado tão econômica que, hoje, não é difícil encontrar

mercadorias que são paletizadas na fábrica e que se movem de forma unitizada ao longo

de todo o sistema de distribuição, até o consumidor final. A compatibilidade de

manuseio por todo o canal, de modo a minimizar movimentação e unitização, é um ideal

raramente conseguido por muitos sistemas de distribuição. Entretanto, deve-se sempre

tentar evitar a repaletização de mercadorias, as ineficiências de ocupação de espaço ou

maiores custos de transporte por causa da má coordenação entre os diversos sistemas

de manuseio de fornecedores e clientes.

*Conteinerização: A forma mais apurada de unitização conseguida em sistemas

modernos de distribuição é alcançada pelo uso de contêineres . Contêineres

são grandes caixas que podem ser transportadas em vagões ferroviários abertos, em

chassis rodoviários, em navios ou em grandes aeronaves. Geralmente, seguem as

dimensões de 8 x 8 x 20 pés ou 8 X 8 x 40 pés (padrões ISO). São suficientemente

grandes para aceitar carga paletizada, são estanques, de maneira que não é preciso

proteger a carga de problemas meteorológicos, e podem ser trancados para maior

segurança. Via de regra, são carregados e descarregados dos veículos com o uso de

guinchos especializados.

São muito empregados no transporte marítimo de produtos acabados, pois a carga

E a descarga de mercadorias transportadas de maneira convencional implicam custos

Relativos maiores. Estes custos estão associados à rotatividade da embarcação, que

melhora.significativamente com o uso de contêineres, pois a relação entre dias

parados no porto e dias em viagem no mar diminui sensivelmente. Sua popularidade é

menor no caso do transporte terrestre, apesar do uso de esquemas intermodais

(ferro-rodoviários) estar ficando mais comum no Primeiro Mundo. A conteinerização

ainda é empregada de modo limitado, pois é muito oneroso para uma firma individual

comprar um estoque adequado de contêineres. Assim programas satisfatórios de inter-

câmbio entre companhias de transporte devem ser desenvolvidos antes que seu uso se

generalize.

*Identificação: A embalagem serve também para identificar o produto, principal-

Mente quando a própria aparência externa do produto não permite fazê-lo facilmente

(como no caso de itens desmontados). Identificação facilitada acarreta menor tempo de

Manuseio, assim como pode implicar menor retrabalho, posteriormente. Quando um

Enlatado é oferecido em “57 variedades”, máquinas de lavar roupa em cinco cores

Diferentes e sapatos em 20 tamanhos, a embalagem torna-se fundamental para a identi-

ficação do produto. Imprimir figuras na caixa, usar fitas coloridas ou carimbar códigos

numéricos ou símbolos na embalagem são modos populares de marcação.

RESUMO

Manuseio de materiais é um dos principais fatores geradores de custo no composto

de atividades logísticas. Estes tópicos tentaram mostrar alguns dos fundamentos dos

dos benefícios e os custos de diversos sistemas de embalagem e

empacotamento foram examinados, assim como vantagens e desvan-

tagens da carga granelizada.

Examinou-se também a problemática do projeto de embalagens, pois está intima-

Mente associada ao manuseio de produtos. Vimos que é fator instrumental para a

operação econômica do sistema de movimentação e armazenagem e que tem interface

com as atividades de marketing. Apesar do projeto de embalagens atender a muitos

objetivos, o profissional de logística tenta obter embalagens que minimizem o custo

total do manuseio e maximizem a utilização do espaço físico.

Finalmente, movimentação de materiais, armazenagem e projeto de embalagem

Não devem ser encarados como atividades restritas apenas ao depósito. O profissional

Deve permanecer atento aos benefícios potenciais quando especificar essas funções, de

maneira a alcançar o máximo grau de compatibilidade ao longo de todo o canal de

distribuição ou suprimento, mesmo quando parte deste pode ficar fora do controle direto

da companhia.

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R o n a l d. H. B a l l o u

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Publicado às setembro 4, 2012 por em Armazenagem e marcado , , , , , , , , , , .
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